A anorexia, a bulimia é a ortorexia são transtornos alimentares dos quais o número de casos vem aumentando. O desejo fixo e a busca pelo corpo ideal são características fundamentais para entender esses distúrbios.
Anorexia
Caracteriza-se pelo desejo de emagrecer, recusando-se a comer e alegando falta de apetite. Inicialmente restringem grupos alimentares, eliminando os mais calóricos. Em seguida, essa restrição vai aumentando, com diminuição do número de refeições, podendo evoluir drasticamente, até o jejum. O anoréxico pode morrer de desnutrição ou, desidratação, os pacientes perdem eletrólitos, principalmente potássio, fundamental para o funcionamento muscular e cardíaco.
Bulimia
Caracteriza-se por episódios repetidos de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios como vômitos, uso de laxantes, diuréticos e outros medicamentos, jejuns e exercícios excessivos.
Neste distúrbio há a compulsão alimentar em que se perde o controle sobre a ingestão dos alimentos e se “devora” tudo. No geral, a pessoa come sozinha e escondida, sem se importar com o sabor da comida. Após o episódio compulsivo vem a culpa e o mal estar físico em razão da quantidade excessiva de alimentos ingeridos, seguidos da indução do vômito, por exemplo, para não engordar. Este comportamento traz satisfação e alívio momentâneos, formando a ideia de como manter o peso sem restringir os alimentos que considera proibidos.
A indução do vômito é feita com os dedos ou objetos finos e compridos e para que seja tudo escondido, muitas vezes a pessoa bulímica vomita debaixo do chuveiro para lavar o local e dar tempo para sumir o cheiro. A frequência de tais episódios é variável, podendo ocorrer várias vezes em um único dia ou em uma semana. O bulímico não tem necessariamente o desejo de emagrecer, mas pelo menos manter o peso.
Sintomas
Os sintomas da anorexia e da bulimia podem coincidir. Fadiga, queda de cabelos, pele seca, constipação, dor abdominal, inflamações anais, dormência, intolerância ao frio, ausência dos ciclos menstruais e infertilidade são alguns sintomas predominantes. Aumento da ansiedade e da impulsividade, abuso de drogas e álcool, promiscuidade sexual e risco de suicídio. É frequente o baixo rendimento escolar por conta da falta de concentração, apatia, desânimo e sonolência.
Ortorexia
Trata-se do transtorno alimentar mais recentemente reconhecido pela organização mundial de saúde, mas talvez o mais comum ultimamente. Caracteriza-se pela obsessão por alimentação saudável. Sendo assim, a pessoa só se permite alimentação saudável, avalia tudo que se encontra em cada alimento, não consegue comer uma refeição preparada por outra pessoa por não saber tudo o que contém ali, observa e comenta a forma como os outros preparam a comida e pensa com frequência em conteúdo nutricional.
Desta forma, os ortoréxicos começam a se fixar cada vez mais nas suas regras alimentares e passam a sofrer prejuízos sociais a medida que se isolam, afinal grande parte dos eventos sociais acontecem em torno de uma mesa farta. Pode haver um declínio no desempenho profissional ou de estudos porque a mente se ocupa demais em pensar coisas do tipo; quantas vezes tem que mastigar, quando copos de água tem que tomar, quantas calorias já ingeriu, etc.
Características do paciente que sofre de transtornos alimentares
O paciente que sofre de anorexia, bulimia ou ortorexia costuma ter baixa autoestima, perfeccionismo, medo de mudanças, preocupações excessivas, hipersensibilidade, rigidez de caráter e conduta, dificuldade em expressar emoções, necessidade de aceitação, agradar a todos e chamar a atenção.
Tratamento
O tratamento é conduzido por equipe multiprofissional com intervenções medicamentosas, psicológicas e nutricionais.
Em primeiro lugar, os medicamentos são para corrigir os pensamentos obsessivos, as distorções da imagem corporal e também contra sintomas depressivos. O diagnóstico e o tratamento precoce podem facilitar o sucesso terapêutico e o acompanhamento a longo prazo é necessário porque as recaídas são frequentes.
Cuidar do corpo e da saúde é extremamente saudável, desde que não seja um pensamento obsessivo que traga prejuízos biopsicossociais.
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